News & Announcements

18/08/2011: Saúde mental continua a ser um fardo pesado em alguns países da CPLP

Saúde mental continua a ser um fardo pesado em alguns países da CPLP

Luanda - As doenças mentais em alguns países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), sobretudo os de África, continuam a ser um “fardo muito pesado”, fruto dos conflitos armados e outras situações de ordem social e económica, considerou em Luanda, o ministro da saúde, José Van-Dúnem.

Em representação do vice-presidente da Republica, Fernando da Piedade Dias dos Santos, na cerimónia de abertura do V congresso da comunidade médica de língua portuguesa e o VII  Congresso de Saúde Mental da
Língua portuguesa, José Van-Dúnem referiu que a saúde mental se reveste de uma atenção especial em termos de promoção, prevenção e reabilitação.

“Sabemos todos que o elevado fardo das doenças mentais afecta também as famílias, comunidades, assim como as instituições de saúde e o Estado”, disse o governante, apontando para o caso de Angola, onde os 30 anos de
guerra causaram a desestruturação do tecido familiar e social.

Sendo múltiplas as consequências das doenças mentais, do ponto de vista social e económico, frisou que as mesmas afectam todas as idades, sendo um expoente dos atrasos mentais e desenvolvimento da criança. Segundo o ministro, as convulsões, epilepsias, perturbações do comportamento, psicoses, depressões, consequências
dos abusos de substancias tóxicas, tais como, álcool e drogas, são, entre outros casos os atendidos nos bancos de urgência e serviços especializados, apesar de não serem em numero tão elevado.

Actualmente, de acordo com o governante, existem métodos e medicamentos para o tratamento paliativo e curativo de doenças  mentais, mas, a fraqueza dos sistemas de serviços de saúde e limites de recursos inviabilizam de forma considerável, a sua disponibilização e utilização. Acrescentou que existe ainda um défice considerável de
serviços e de pessoal capazes de tratar e reabilitar com qualidade as patologias mentais.

Assim, defendeu a necessidade de se prestar uma maior atenção à formação de quadros a todos os níveis para a integração da saúde mental ao nível das estruturas de atenção primaria, como postos e centros de saúde, bem
como hospitais municipais. No que toca aos quadros, disse que os médicos de clínica geral e de família jogam um papel importante no diagnostico, supervisão, e tratamento dos doentes com problemas mentais.

“Precisamos sim de melhorar  o conhecimento dos médicos e sua competência para que estejam em altura de responder a demanda”, admitiu José Van-Dúnem, que frisou que em Angola está a integrar-se de forma
progressiva a saúde mental no pacote dos serviços essenciais ao nível dos municípios e pretende-se também desenvolver através da melhoria das infraestruturas de saúde e da formação pós-graduado dos serviços gerais e
especializados a nível provincial e regional, com vista a dar uma resposta mais eficaz e efectiva aos problemas e complexos que representam essas doenças.

O congresso decorre numa das unidades hoteleiras de Luanda e nele participam especialistas dos sete países de
expressão portuguesa.