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15/07/2012: União Africana pede envolvimento internacional para solução da crise no Mali

União Africana pede envolvimento internacional para solução da crise no Mali

Addis Abeba (Do enviado especial) - O presidente em exercício da União Africana (UA) e da República do Benin, Boni Yayi, disse ontem (domingo), em Addis Abeba, que a situação no Mali exige a mobilização internacional para a restauração da unidade nacional e a integridade territorial daquele país oeste-africano.

Boni Yayi discursava na abertura da XIX Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que decorre na capital etíope, Addis Abeba.

Sublinhou que a cimeira se realiza num contexto político, de segurança e socio-económico preocupante, marcado pelo ressurgimento de conflitos e tensões em certas regiões do continente.

Considerou mais marcante a dupla crise de segurança e institucional no Mali, devido ao impasse político, a situação humanitária e de segurança no norte do país.

Reportou ainda graves violações dos direitos humanos e liberdades fundamentais, a profanação de lugares santos, a destruição do património cultural, a proliferação de armas de fogo de vários calibres e a tentativa de secessão do norte, promovida por movimentos terroristas djibutis.

Segundo o presidente em exercício da UA, a degradação da situação de segurança e humanitária no Mali obriga a que se mobilize a comunidade internacional, com destaque para a ONU, para apoiar os esforças da Comunidade Económica da África do Oeste (CEDEAO) para o retorno da paz.

Falou da necessidade do continente se unir para debelar a insegurança na zona Sahel na sequência da crise liberiana, a instabilidade política e institucional na Guiné-Bissau e o retorno das hostilidade na Kivu Norte, na República Democrática do Congo, e entre o Sudão e o Sudão do Sul.

Referiu-se também a situação precária de segurança na Somália, os actos de pirataria ao longo da costa Somali e no Golfo da Guiné, o terrorismo levado a cabo pela seita Boko Haram na Nigéria e o tráfico de droga e de armas, como situações que ilustram a grave situação do continente.

Declarou que a paz e a segurança são pressupostos indispensáveis ao desenvolvimento, por isso, apelou aos estadistas africanos a mobilizarem os cidadãos para o alcance dos objectivos de integração e desenvolvimento de África.

No domínio económico, falou da necessidade de se melhorar a governação política, económica e financeira e tomar medidas para que crises, como a da zona euro,não provoquem graves prejuízos em África.

Apelou aos governos a terem como prioridades a implementação de políticas, visando a criação de empregos de qualidade, a redução da pobreza e promover um crescimento sustentável e inclusivo, assim como o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Chamou atenção para a necessidade de investimento na agricultura para se garantir a segurança alimentar, com vista a contrapôr o actual quadro, atendendo a que 31milhões de africanos são considerados pobres e 12 milhões de crianças padecem de má nutrição.

Pediu apoio aos esforços internacionais para a erradicação do HIV/Sida, paludismo e a tuberculose em África.

Valorizou ainda a importância de investimentos em infra-estruturas para a integração regional, desenvolvimento económico e a redução da pobreza.

A cimeira da União Africana (UA) deveria realizar-se este mês no Malawi, mas o Governo daquele país da África Austral não autorizou a participação nela do presidente sudanês Omar el Bechir, por isso, a UA confirmou a 11 de Junho a anulação da sua cimeira de Julho na capital do Malawi, depois da declaração feita pelas autoridades deste Estado segundo a qual preferem perder o direito de acolher a reunião do que permitir a entrada do presidente sudanês, Omar el-Bechir, devido à sua inculpação pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra.

Na ocasião, um responsável da UA frisou que a organização continental "soube da informação divulgada pelo vice-presidente do Malawi, Khumbo Kachali, na rádio e na televisão e, por conseguinte, confirmou que a próxima cimeira terá lugar em Addis Abeba".

Os responsáveis da UA participaram numa reunião de urgência em Addis Abeba, para determinarem a transferência da cimeira de Lilongwe para a capital etíope, que alberga a sede da organização panafricana.