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25/03/2012: Tuberculose leva ao empobrecimento dos países, diz ministro da Saúde

Tuberculose leva ao empobrecimento dos países, diz ministro da Saúde

Luanda – O ministro da Saúde, José Van-Duném, reconheceu hoje, sábado, em Luanda que o elemento mais marcante da Tuberculose é o seu carácter social, que tem consequências muito graves para as famílias e
leva ao empobrecimento dos países.

Em entrevista exclusiva à Angop por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose, que se assinalou sabado passado, o titular da pasta da Saúde recordou que " por ser uma doença de longa duração, exige um grande suporte familiar e social e exige que as pessoas resistam ao estigma e façam a medicação para que se possam curar".

Recordou que a TB provoca muitas vítimas, que acabam incapacitadas para o trabalho, uma vez que o tratamento dura seis meses e nesse período o doente não trabalha.

"Se não trabalha, priva o seu agregado dos proventos que advêm do seu trabalho, então acaba entrando no ciclo gerador da pobreza com consequências muito gravosas para as famílias e para o empobrecimento dos países", frisou.

Para o ministro, no caso de Angola, em que o Governo suporta o tratamento, o número de mortes tem reduzido substancialmente, mas em outros países onde o mesmo não acontece, os doentes têm um futuro muito
reservado.

Considerou que a TB é também uma das doenças que mais perturba o mundo, por estar ligada a pobreza, a falta de condições de vida e ultimamente está associada ao VIH/SIDA.

Apontou ainda como factor agravante o facto do tratamento ser muito prolongado e de não se ter investido em drogas novas, "a resistência aos medicamentos e os longos períodos de tratamento, propiciam taxas
elevadas de abandono e fazem com que a tuberculose se mantenha como um problema
importante de saúde pública".

De acordo com o ministro, esta é uma tendência mundial e que também é vivida em Angola, mas que poder ser melhorada, pois durante muito tempo os doentes de tuberculose foram tratados em sanatórios, afastados da
sociedade.

"Hoje a tendência é fazer-se o tratamento sobre observação directa, ou seja, fazer com que os doentes se dirijam a unidade sanitária mais próxima de sua casa e tomem lá os medicamentos, para se ter a
garantia de que os doentes fazem realmente a medicação", afirmou.

Apelou aos doentes para o rigoroso cumprimento do tratamento, que pela extensão tem vencido alguns pelo cansaço o que tem levado ao abandono do tratamento e induzido ao surgimento da resistência a medicação e
a complicações futuros, bem como facilita a transmissão da doença.

"A doença tem dois tipos de manifestações nas pessoas; numa primeira fase estão muito debilitados, sentem-se mesmo doentes, então tomam os medicamentos, depois a meio do tratamento já não sentem nada, mas apesar de ainda não estarem curados, deixam de tomar os medicamentos", lamentou.

Em Angola, apesar de ter reduzido consideravelmente o número de vítimas mortais da doença, quarenta e oito mil novecentos e quarenta e sete casos de tuberculose foram registados durante o ano de 2011.

O 24 de Março foi instituído em 1982, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela União Internacional contra a Tuberculose e Doenças Pulmonares (International Union Agaist Tb and Lung Disease-IUATLD), como Dia
Mundial de Luta contra a Tuberculose.