Press Release

08/10/2016: EUA: REUNIÕES ANUAIS DO FMI E BM ABREM OFICIALMENTE COM SESSÃO PLENÁRIA

EUA: REUNIÃES ANUAIS DO FMI E BM ABREM OFICIALMENTE COM SESSÃO PLENÃRIA

Washington - A abertura oficial das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial teve lugar na sexta-feira, em Washington, Estados Unidos da América.

O referido evento decorre até ao dia 9 do corrente mês.

Job Graça, ministro angolano do Planeamento e do Desenvolvimento Territorial e a delegação que o acompanha, participaram na sessão plenária.

A sessão plenária foi presidida por Mauricio Cárdenas, ministro das Finanças da Colômbia e presidente da Assembleia de Governadores do FMI e do BM, que também representa o grupo de economias emergentes do G-24, durante estas reuniões.

De destacar que a Colômbia dirige as reuniões, como presidente do Conselho de Administração do Grupo do Banco Mundial e do FMI, o que significa dizer que, nas reuniões deste ano, o presidente Jim Yong Kim do Grupo Banco Mundial, a directora gerente do FMI, Christine Lagarde e o ministro das Finanças, Mauricio Cardenas, representam os outros governadores, que são os 188 países membros de ambas as organizações.

As reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial tiveram o seu início na capital federal dos EUA, Washington.

A semana de 4 a 9 de Setembro, considerada a das reuniões anuais, é, à semelhança dos anos anteriores, precedida de eventos paralelos (seminários, workshops, palestras, mesas redondas) que dão a oportunidade aos países participantes para realizarem os seus encontros bilaterais com as organizações financeiras presentes, eventos diversos onde são discutidos assuntos sobre a economia global, com destaque para temáticas sobre o reforço do financiamento ao desenvolvimento sustentável.

Sob o lema "Desafios Globais, Soluções Globais", as reuniões anuais, também chamadas de Outono, do FMI e do BM, acontecem alternadamente em Washington e noutro país designado.

A Indonésia albergará o evento em 2017.

"É uma grande honra para o nosso país, porque fomos nomeados pelos outros governadores para representá-los nestas reuniões e, também um grande reconhecimento da comunidade internacional pela exemplar gestão económica que a Colômbia fêz nos últimos anos, em que as economias emergentes tiveram que enfrentar grandes desafios", disse o ministro Cardenas ao abrir a sessão plenária esta manhã, que teve como principais oradores o presidente Jim Yong Kim do Grupo Banco Mundial e a directora geral do FMI, Christine Lagarde.

Lagarde começou por fazer uma referência à ameaça que representa o furacão Mathew, uma enorme tempestade que já atingiu o Haiti, a República Dominicana e Cuba, deixando um rasto de destruição, inundações, milhares de desabrigados e mais de 100 mortos.

Neste momento, já na costa americana, afecta os Estados da Flórida, Georgia, Carolina do Sul e Carolina do Norte.

A directora geral do Fundo Monetário Internacional, no seu discurso, enviou um recado indirecto, da organização que dirige, à eleição presidencial 2016 nos EUA, alertando sobre questionametos à globalização, que, segundo o Fundo, contribui em larga escala para a economia global, mas é vista como um problema crescente.

"Um recuo da globalização e do multilateralismo é um sério risco, quando a cooperação e a coordenação internacional são mais críticas que nunca", disse Lagarde no seu discurso à plenária das reuniões anuais, afirmando que os avanços da tecnologia e a globalização levaram a ganhos de bem-estar sem precedentes nas últimas décadas, incluindo a expansão do acesso dos consumidores a bens e serviços que ajudou a tirar milhões de pessoas da pobreza.

"Em muitas economias avançadas e em alguns mercados emergentes, a lenta adaptação às transformações tecnológicas e à globalização reduziu o crescimento dos salários para trabalhadores de média e baixa qualificação, enquanto aumentou o rendimento do capital e dos trabalhadores altamente qualificados", reforçou.

Indicou ainda que, "em retrospectiva, não foi feito o suficiente para abordar as preocupações daqueles que têm sido afectados, criando tensões sociais e reacções políticas".

O Fundo manteve a sua previsão de crescimento para a economia global em 3,1 porcento neste ano e em 3,4 porcento em 2017, mas alertou que os Estados Unidos, a maior economia do mundo, tem um desempenho que é decepcionante e que isso está a ser compensado pelo desempenho um pouco melhor de algumas economias emergentes.

Por sua vez, o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim, pediu aos governos do mundo inteiro que com urgência eliminem as núvens de tempestade que representam o isolamento e o proteccionismo.

"O Banco Mundial está sempre pronto para agir com rapidez e flexibilidade, trazer novas ideias e uma resposta que evolua conforme necessário, país após país", enfatizou Jim Yong Kim.

O responsável, disse que no seu primeiro mandato, como presidente, a organização que dirige, trabalhou para transformar e ajustar o Grupo do Banco Mundial numa instituição que possa resolver alguns dos complexos desafios que mais afectam a geração actual.

De recordar que o BM aprovou duas novas metas ambiciosas para a instituição: acabar com a pobreza extrema até 2030, e promover a prosperidade compartilhada, impulsionando o crescimento da renda dos 40 porcento da base da população em todos os países em desenvolvimento.

Para o alcance de tais objectivos, o Grupo do Banco Mundial traçou uma estratégia básica de projecto para a reforma, através dessa nova estrutura de práticas globais e a partilha de conhecimentos.

"Graças às nossas práticas globais, estamos agora a trabalhar para melhor partilhar o conhecimento a partir desses dois projectos a nível mundial", disse, manifestando-se satisfeito com os resultados alcançados até ao momento.

Ainda na tarde de sexta-feira,  o governante Angolano participou num encontro realizado pela área de estudos regionais do Departamento Africano do FMI, onde foram abordados os últimos desenvolvimentos económicos.

Para hoje, sábado, a agenda do chefe da delegação angolana, prevê um encontro com o Director Executivo do Banco Africano de Desenvolvimento, Heinrich Mihe Gaomab.

Job Graça vai ainda hoje participar no painel sobre a África Subsahariana, num seminário de investidores e na reunião com a equipa do país no FMI.

Em Washington, o ministro Job Graça e a delegação que o acompanha, conta com o apoio de Ana Dias Lourenço, que é a Directora Executiva, representante angolana e africana no Banco Mundial, na 25ª constituência, e de Agostinho Tavares, embaixador de Angola nos EUA.

Integram também a mesma, Valter Filipe Duarte da Silva, Governador do Banco Nacional de Angola, Suzana Maria de Fátima Camacho Monteiro, vice-Governadora do BNA e Aia-Eza da Silva, Secretária de Estado das Finanças para o Orçamento, bem como quadros superiores das instituições governamentais presentes, Ministério das Finanças, Ministério do Planeamento e Banco Nacional de Angola (BNA), assim como diplomatas séniores em missão em Washington