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06/05/2016: Chefe de Estado inaugura Museu da Moeda

Chefe de Estado inaugura Museu da Moeda

Luanda - O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, inaugurou hoje, sexta-feira, o primeiro Museu da Moeda do país, um projecto impulsionado pelo Banco Nacional de Angola (BNA), com o objectivo de reunir num mesmo espaço a história do país contada a partir da evolução da sua moeda.

Localizado na marginal de Luanda, o empreendimento, com algumas infra-estruturas no subterrâneo, ocupa uma área bruta de construção de 95 mil metros quadrados.Na paisagem exterior do Museu da Moeda estão em destaque quatro torres de 12 pisos (Torres Kianda) para escritórios, uma galeria comercial e um jardim.

A edificação do Museu da Moeda, cuja obra de construção iniciou em Janeiro de 2013, foi aprovada em Conselho de Ministros, em Abril de 2011, no quadro da valorização do património histórico e da cultura do país.

Resumo Histórico da Moeda em Angola (Do Zimbo ao Kwanza)

Antes da época colonial utilizava-se em Angola colares formados por rodelas de conchas de caracóis e outras conchas, mas foi o Zimbo, pequeno búzio cinzento, um dos mais importantes e dos primeiros instrumentos de troca constituindo, funcionalmente, autêntica moeda local.

O Zimbo aparecia em toda a costa de Angola, embora os mais belos fossem encontrados na ilha de Luanda.

A queda do valor do Zimbo deu lugar à predominância dos "panos" como moeda mais generalizada. Por outro lado, o sal, o cobre, os panos, os escravos, o marfim eram também outros instrumentos de troca utilizados na altura.

Valores Pré-Monetários de Proveniência Exterior

O "Cauris", concha branca de rara beleza. A sua generalização em Angola e no Congo teve lugar a partir do século XVI e foi consequência das relações comerciais dos mercadores portugueses, que, por via marítima, o importavam do Oriente.

Neste percurso de Valores Pré-Monetários de Proveniência Exterior, circularam no actual território de Angola, a partir do Séc. XVI,  as contas e missangas das mais variadas cores e feitios, que acabaram por suplantar as conchas, em especial o "zimbo" e o "cauris" na sua função de moeda.

O Surgimento da Macuta

A cunhagem das moedas de cobre constava de peças de 1 macuta, ½ macuta, ¼ de Macuta e cinco réis, atribuindo-se à Macuta o valor de 50 réis.

Quanto à emissão de moedas de prata, constava de peças de 12, 10,8,6,4 e 2 macutas, sendo estas, de uma forma geral, semelhantes às de cobre. Neste período viviam-se tempos particularmente difíceis na colónia, motivados pelo monopólio da moeda.
Em 1860 a situação económico/financeiro em Angola era de facto deplorável. Havia pouco dinheiro, as receitas que entravam nos cofres públicos eram na sua maior parte constituídas por letras e títulos de dívida.

Com o objectivo de fazer afluir metal sonante aos cofres, decidiram as autoridades coloniais suprimir a aceitação de letras, limitando os pagamentos apenas a dinheiro e aos irrecusáveis títulos de dívida.

Mas esta medida também não surtiu efeito, extinta a moeda de cobre carimbada, assim como as cédulas de papel, passou toda a moeda circulante da colónia, a macuta ( moeda de cobre ), a exprimir-se pelo valor Real, moeda do reino português.
Até 1864, a actividade económica em Angola repousava essencialmente sobre os mecanismos do tradicional sistema de troca de géneros.

Nesta troca os meios mais correntes de pagamento eram as fazendas, o Zimbo, as pedras de sal da Kissama (que corriam em toda a parte) e os libongos.
De 1910 a 1962 lança o Estado colonial português no mercado a emissão "Vasco da Gama", o "escudo", as cédulas do Banco Nacional Ultramarino, as "ritas" e os "chamiços", os "angolares" e por último, em 1953, o "escudo" como unidade monetária.

Finalmente o Kwanza

O Kwanza verdadeiramente a moeda de Angola. Considerando que um dos atributos da soberania de um Estado Independente é a faculdade de emitir moeda.

A moeda nacional, o Kwanza, completou a 8 de Janeiro, 39 anos desde que o Banco Nacional de Angola (BNA), autoridade cambial do país, procedeu à troca da moeda, substituindo o escudo português.

Em cumprimento do disposto nos artigos 8.º e 30.º da antiga Lei Constitucional,  foi criado o Kwanza, em substituição da então moeda  colonial, como meio de pagamento no território nacional.

Numa altura em que a circulação de pessoas e bens no país era relativamente pacífica, a operação da troca foi realizada em oito dias, o que na época foi considerado recorde.

O Kwanza teve como a mais pequena unidade o Lwei, em moeda metálica, o equivalente a 50 cêntimos, e a nota de 1.000.00 kwanzas como a nota de maior valor facial.

A moeda teve uma cotação fixa de 33 kwanzas por um dólar norte-americano, mas as distorções económicas que surgiram ao longo dos anos, permitiram uma inflação que deu origem a programas económico-financeiros, que, entre outras consequências, levaram com que a moeda sofresse ou alterasse a denominação.

Foi assim que em 1990 entrou em circulação o Novo Kwanza (NKz), em substituição do Kwanza, e, em 1995, a mesma razão levou a criação do Kwanza Reajustado (Kzr). Ambas moedas atingiram valores faciais tão altos como a nota de cinco mil.

O BNA viu-se forçado, em Dezembro de 1999, a pôr fim ao Kwanza Reajustado voltando a emitir o Kwanza.

A 18 de Fevereiro de 2013, arranca o processo de actualização da moeda angolana, com o lançamento das moedas metálicas de 50 cêntimos, um, cinco e 10 kwanzas.

Em Março de 2013, o BNA lançou as notas de 50, 100, 200, 500, 1.000, 2.000. Em Maio foi lançada  a nota de  5.000 kwanzas.

As normas internacionais, segundo o BNA, recomendam apenas sete anos o tempo máximo de circulação das notas.

No âmbito das comemorações do quadragésimo aniversário da independência nacional, assinalado a 11 de Novembro de 2015, o BNA pós em circulação novas moedas metálicas de 50 e 100 kwanzas.