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01/10/2015: EUA: Angola sugere coligação para combate às acções terroristas

EUA: Angola sugere coligação para combate às acções terroristas

Nova Iorque (Dos enviados especiais) - A República de Angola considerou nesta quinta-feira, em Nova Iorque (EUA), imperiosa a criação de uma coligação mundial para combater o incremento das actividades terroristas, perpetradas por grupos extremistas em África e noutras regiões do Mundo.

Este posicionamento do país foi manifestado pelo vice-presidente da República, Manuel Domingos Vicente, quando discursava na Assembleia Geral das Nações Unidas.

O governante referiu, por outro lado, que a criação da Task Force da Bacia dos Países do Lago Chade e Benim é um exemplo de resposta colectiva que merece o necessário respaldo da comunidade internacional, visando extirpar de África o flagelo terrorista que tem causado sofrimento aos povos por ele afectados.

Já em relação a situação na República Centro Africana, salientou que permanece um desafio, do ponto de vista da estabilidade política, económico-social e de segurança interna.

Neste sentido, disse, Angola apoia os esforços do governo de transição, visando repor a administração pública, a reestruturação das instituições do Estado e encoraja todas as partes a respeitarem os compromissos assumidos no Fórum de Bangui, como pressuposto fundamental para a realização de um processo eleitoral inclusivo, pacífico e transparente.

Por outro lado, acrescentou que as autoridades angolanas saúdam o recente compromisso obtido entre o Governo do Sudão do Sul e a oposição armada, sob mediação da IGAD e de outros parceiros internacionais, com vista a resolução da crise que assola o país.

Neste domínio, disse que Angola encoraja as partes signatárias do Acordo a honrarem os seus compromissos e a comunidade internacional a manter o seu apoio ao processo de paz.

No que toca a Guiné-Bissau, disse que ultrapassada a crise institucional, os recentes desenvolvimentos políticos mantêm a expectativa no processo virtuoso de crescimento económico e de estabilização política e social.

Por este facto, apelou a todos os actores políticos e sociais guineenses para o máximo sentido de responsabilidade e à comunidade internacional a prosseguir o apoio da Conferência de doadores de Bruxelas.

Para a questão do Sahara Ocidental, disse que continua a preocupar, considerando a necessidade do exercício, pelo povo Saraoui, do seu direito à autodeterminação.

Apelou às partes a prosseguirem as negociações e encontrarem uma solução mutuamente aceitável no quadro dos princípios da Carta das Nações Unidas e pertinentes resoluções do Conselho de Segurança.

"Preocupa-nos o status quo que prevalece no processo de uma solução para o conflito Israelo-Palestiniano. Defendemos o reatamento de negociações conducentes a uma solução pacífica e duradoura, baseada em dois Estados, vivendo lado a lado em paz e segurança", expressou.

Em relação aos conflitos na Líbia, Síria e no Iraque, argumentou que exigem uma rápida resolução face às graves consequências humanitárias deles resultantes.

De acordo com o vice-presidente, as causas desses conflitos residem em violações graves de direitos fundamentais dos povos desses países e em ingerências externas que se revelaram desastrosas com as tentativas ou mudanças de regime, assim como a imposição artificial da democracia, a partir de fora, um "logro total de trágicas consequências".

Manifestou ainda as felicitações de Angola pelo Acordo concluído entre as 6 potências e a União Europeia com a República Islâmica do Irão sobre o programa nuclear iraniano, o que evidência que, qualquer controvérsia, por mais difícil e complexa, pode ter soluções políticas.

"Isso é particularmente notável, tratando-se de uma região em que a diplomacia tem sido, nos últimos decénios, sistematicamente preterida", exprimiu.

O vice-presidente referiu também que Angola acompanha com grande interesse e saúda a normalização das relações diplomáticas entre os Estados Unidos de América e Cuba, porém reitera a necessidade do fim do embargo económico, comercial e financeiro imposto, que limita o direito deste povo ao desenvolvimento e é contrário aos princípios e regras do Direito internacional.

Fez também menção ao facto de a República de Angola deter, actualmente, a presidência da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, e tem-se empenhado na procura de soluções aos problemas que afectam a região, tanto no quadro bilateral, quanto multilateral, bem como no âmbito do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Paz e Segurança da União Africana.

"Neste contexto, reafirmamos a nossa determinação para continuar a apoiar e a promover o diálogo, a paz, segurança e estabilidade, na África Central e no conjunto da Região dos Grandes Lagos", declarou.

Disse que, ciente das suas responsabilidades, num contexto internacional cada vez mais fluido e complexo, e dos desafios de segurança que os Estados ribeirinhos do Golfo da Guine enfrentam, o Governo angolano, com o apoio dos Estados Unidos da América (EUA) e da Itália, irá realizar nos próximos dias, em Luanda, uma Conferência Internacional sobre Segurança Marítima e Energética, com vista a contribuir para uma resposta às ameaças do terrorismo e da pirataria no Golfo da Guiné.