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07/12/2011: Independência de Angola permitiu alcance da liberdade a outros países - Joaquim Chissano

Independência de Angola permitiu alcance da liberdade a outros países - Joaquim Chissano
Luanda - A proclamação da Independência de Angola, em 1975, permitiu o alcance da liberdade a outros países, o MPLA e o povo angolano serviram de fonte de inspiração para os povos da África Austral, que combatiam na altura os regimes opressores.
A afirmação é do antigo presidente de Moçambique Joaquim Alberto Chissano, que dissertava o tema "O papel do MPLA e da Frelimo na libertação da África Austral", durante o I Colóquio Internacional sobre a
história do MPLA, que decorre na capital do país.
Explicou que sem a independência de Angola teria sido mais difícil o alcance da soberania de outros povos, sobretudo se tomada em consideração a estratégia do apartheid, denominada "estratégia total".
Asseverou que a dominação da política pelos militares tinha como objectivo impor mudanças de políticas e regimes nos estados vizinhos, tal como tentaram fazer em Angola e Moçambique com as "guerras proxy", ou ainda
através de pressões económicas, incluindo várias formas de sanções.
Relativamente à "estratégia total", recordou que funcionava em conjunto com a projectada constelação de estados, que preconizava um Estado Central (a África do Sul), a volta do qual gravitariam os outros países da
África Austral, dela dependentes economicamente e em matéria de segurança.
Neste contexto, explicou, foi a conquista da independência de Angola e Moçambique, bem como as derrotas nas "guerras proxy", que permitiu sucessivamente a independência do Zimbabwé, Namíbia e o fim do apartheid.
Enalteceu o contributo dos nacionalistas que constituíram o MPLA para o despertar dos povos da África Austral e as formas de luta pela sua libertação e alcance da soberania.
Em relação a Moçambique, recordou vários cenários idênticos de lutas clandestinas contra o colonialismo-fascismo, que conduziu a solidariedade com as lutas dos povos da África do Sul, então rodésias do Sul e do Norte, respectivamente, num momento de inspiração recíproca.
Referiu no entanto, que a luta dos angolanos e moçambicanos, dirigidas pelo MPLA e a Frelimo, pela sua clareza ideológica, correcta definição do seu inimigo e capacidade de ultrapassar dificuldades, tornaram-se forças de
referência para outros movimentos de libertação, nomeadamente o ANC, ZAPU e ZANU.