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19/02/2014: PR homenageia nacionalista Mendes de Carvalho

PR homenageia nacionalista Mendes de Carvalho

Luanda - Mais de uma centena de cidadãos, com destaque para o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, prestaram ontem, num clima de comoção, um tributo público ao nacionalista Agostinho André Mendes de Carvalho.

Por mais de quatro horas, o Palácio dos Congressos testemunhou demonstrações de carinho de actores políticos e pessoas anónimas, que "choraram" a morte deste notável agente do Processo dos 50.

A urna, contendo os restos mortais do histórico nacionalista, encoberta com a bandeira da República de Angola, foi velada durante toda a manhã no Parlamento, onde recebeu homenagens de entidades políticas, religiosas e da sociedade civil.

Eram 10:07 quando o Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, ladeado do presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, chegou ao local, para dar início ao velório oficial. No começo da manhã, registou-se um velório familiar, na residência do nacionalista.

Após a passagem do Chefe de Estado, que se curvou perante o corpo do ex-deputado, prestaram tributo o vice-presidente da República, Manuel Vicente, o presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, o presidente do Tribunal de Contas, Julião António, e do Tribunal Supremo, Cristiano André.

De igual modo, endereçaram pêsames à família o procurador geral da República, João Maria de Sousa, o provedor de Justiça, Paulo Tjipilica, o vice-presidente do MPLA, Roberto de Almeida, auxiliares do titular do poder executivo, membros do Conselho da República, deputados à Assembleia Nacional, membros do processo dos 50, de partidos políticos e líderes religiosos.

Ao assinar o livro de condolências, o vice-presidente da República, Manuel Vicente, escreveu que foi com profunda dor que acolheu a notícia do infausto acontecimento e confessou ter perdido um conselheiro.

"Com o desaparecimento do mais velho Mendes, perdi um amigo, um pai e um conselheiro. O país perde também um dos seus melhores e mais dedicados filhos. Que a sua alma descanse em paz", lê-se na curta mensagem do vice-presidente.

Já o presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, escreveu que André Mendes de Carvalho é um dos mais distintos filhos de Angola e tem o seu lugar de destaque entre os combatentes pela liberdade e dignidade do povo.

"Desde muito cedo, ainda bastante jovem, dedicava a sua vida à luta pela independência do nosso país", lembrou o parlamentar no seu testemunho.

O velório oficial decorreu até às primeiras horas da tarde, devendo a urna de Mendes de Carvalho, falecido vítima de doença, ser transportada esta tarde, em cortejo fúnebre para Calomboloca, Icolo e Bengo, sua Terra Natal.

Naquela localidade, para onde centenas de militantes do MPLA e entidades políticas e eclesiástica se deslocam, será dado o último adeus ao nacionalista, um dos rostos mais emblemáticos do Processo dos 50.

Uanhenga Xitu, pseudónimo literário de Mendes de Carvalho, nasceu em 29 de Agosto de 1924, em Calomboloca, município de Icolo e Bengo, província de Luanda.

Enfermeiro de profissão, inseriu-se na acção política clandestina durante o regime colonial, pró-independência de Angola, tendo sido preso pela polícia repressiva "PIDE/DGS", e condenado, por um Tribunal Militar, a 12 anos de prisão maior, medidas de segurança de seis meses a três anos prorrogáveis e perda de direitos políticos por 15 anos.

Na prisão começou a escrever as suas histórias, compiladas em obras como: "O Meu Discurso", "Mestre Tamoda", "Bola com Feitiço", "Manana", "Vozes na Sanzala (Kahitu)", "Os Sobreviventes da Máquina Colonial Depõem", "Os Discursos do Mestre Tamoda", "O Ministro" e "Cultos Especiais".

Uanhenga Xitu foi membro da União dos Escritores Angolanos, que recentemente o homenageou pela sua inquestionável importância no cenário literário angolano.