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03/01/2014: Realçado movimento de revolta da Baixa de Cassanje

Realçado movimento de revolta da Baixa de Cassanje

O movimento de revolta de 4 de Janeiro de 1961, na Baixa de Cassanje, foi uma sublevação em grande escala, considerou quinta-feira, na cidade do Dundo, Lunda Norte, o analista político Elias Tchinguli, quando dissertava sobre o "Dia dos Mártires da Repressão Colonial".

Afirmou que a insurreição da Baixa de Cassanje (região localizada entre Malanje e Lunda Norte), foi organizada cautelosamente por nacionalistas angolanos, que decidiram enfrentar os colonialistas devido à forma desumana como eram tratados.

Segundo o orador, naquela altura o regime fascista de Portugal não estava preparado nem esperava pelo surgimento do movimento reivindicativo do nacionalismo angolano com origem no meio rural.

Lembrou que os protagonistas da epopeia foram agricultores da Companhia de Algodão de Angola (Cotonang), que com coragem e determinação deram um basta à exploração, humilhação e ao trabalho forçado que eram submetidos.

"Pela primeira vez na história do colonialismo, houve uma sublevação em grande escala, num território com diversidades étnicas como mussucos, bangalas, ambundos, lundas e cocwes", referiu.

Com esta acção, disse o analista político, os povos da região da Baixa de Cassanje demonstraram que a nação angolana existia e a consciência nacional começava a despontar.

Contou que em resposta à acção, os opressores massacraram barbaramente mais de cinco mil camponeses, por exigirem o pagamento dos produtos que eram obrigados a produzir e vender aos patrões da Cotonang, com preços reais.

Indicou que os colonialistas portugueses não estavam preparados para este movimento de grande envergadura, que começou em na localidade de Quivota, alastrando-se por toda Baixa de Cassanje que abarca as regiões de Pedro Bumba, Holo, Quela, Marimba, Milando e Iongo.

Elias Tchinguli salientou que com subterfúgios, os colonialistas portugueses evocavam neutralidade e missão civilizadora dos povos, negando-se a participar no movimento libertário e de concepção das independências e de autonomia dos povos colonizados.

Sublinhou que estes acontecimentos surgiram numa época em que Portugal tirava dividendos, porque a economia de Angola dependia da agricultura, através da exportação do café e de outros recursos.

O prelector citou os diamantes, o ferro, a exploração do petróleo, os caminhos-de-ferro e os portos, como outras fontes de riqueza que concorriam para a vitalidade da economia de Portugal.

"Isto contribui para a não cedência da liberdade aos povos colonizados, com repercussões enormes na relação entre os angolanos e portugueses", realçou, concluindo que o ambiente de crispação potenciou os movimentos nacionalistas.

A palestra abriu o programa de actividades em alusão ao 4 de Janeiro, Dia dos Mártires da Repressão Colonial", e contou com a participação da vice-governadora da Lunda Norte, Angélica Nené Curita, funcionários públicos, estudantes e autoridades tradicionais.